Data center em Belém: R$ 250 milhões, 7,5 MW e o que ainda falta
- Por Redação UT
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O primeiro data center em Belém voltado à inteligência artificial tem nome, endereço e preço. É o BEL1, da Elea Data Centers, com investimento inicial de R$ 250 milhões e 7,5 MW de energia garantida, perto da subestação Miramar. O projeto foi anunciado em junho, segundo o Convergência Digital. Ele voltou ao noticiário em outubro, com uma reportagem de O Liberal, um podcast da Agência Pública e uma entrevista da própria empresa.
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Mas entre o anúncio e a primeira máquina ligada ainda há um caminho longo. O licenciamento ambiental não começou, o Ministério Público do Pará investiga o projeto e o prazo de operação mudou de discurso ao longo dos meses. Reunimos o que já está confirmado, o que a empresa promete, o que os críticos questionam e o que ainda falta para o BEL1 sair do papel. Spoiler: o licenciamento ambiental do data center é a etapa decisiva.
O que é o data center da Elea em Belém
Um data center é um prédio cheio de servidores. São os computadores que guardam sites, aplicativos e arquivos “na nuvem”. Cada vez mais, eles também rodam modelos de inteligência artificial. Pense nele como uma usina, só que de processamento: em vez de produzir energia, ele consome muita energia para produzir cálculo.
A Elea anunciou o Elea BEL1 em 26 de junho de 2026. Segundo o TeleSíntese, a empresa já opera nove data centers em cinco regiões metropolitanas: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. O de Belém seria o primeiro dela na Região Norte, segundo a Convergência Digital. Os números do anúncio foram estes:
- Investimento inicial: R$ 250 milhões.
- Capacidade inicial: 7,5 MW, com ampliação em etapas que poderia chegar a 100 MW.
- Energia: contrato de compra de energia 100% renovável com a Axia Energia, a antiga Eletrobras.
- Uso: aplicações de inteligência artificial; em outubro, a empresa citou também a computação em nuvem.
- Prazo anunciado: operação no segundo trimestre de 2027.
Segundo a empresa, o projeto começou a ser pensado em 2024, quando Belém foi confirmada como sede da COP30. A Elea o apresenta como o primeiro data center de IA na Amazônia, uma afirmação da própria companhia.

Onde fica
O terreno é alugado da Axia, na zona portuária de Miramar, no bairro do Barreiro, segundo entrevista do promotor responsável pelo caso à InfoAmazônia, reproduzida pelo IHU. A reportagem de O Liberal de julho situa a área na Avenida Artur Bernardes, perto da subestação Miramar. A vizinhança com a subestação é o principal trunfo: energia em alta tensão chega quase na porta.
R$ 250 milhões e 7,5 MW: o que cada número quer dizer
Aqui está a novidade mais recente, e ela muda a leitura dos números.
A entrevista foi dada à TV Síntese e publicada em 26 de outubro. Nela, a diretora de marketing e vendas da Elea, Fernanda Belchior, explicou que os 7,5 MW são a garantia inicial de energia do projeto, não o tamanho do parque de servidores.
A carga de TI, ou seja, a energia usada pelos computadores em si, deve começar com 1 MW e chegar a 5 MW. “A implantação será faseada conforme as necessidades do cliente âncora”, diz o TeleSíntese, que informa ainda que a negociação com esse cliente está em andamento e é confidencial.
Para ter uma ideia de escala, o CEO e fundador da Elea, Alessandro Lombardi, disse à eixos, em setembro, que um data center de 7,5 MW consome menos energia que um shopping center de médio porte. É uma comparação da própria empresa, mas ajuda a entender que a primeira fase é pequena perto dos grandes data centers de IA do mundo.
Veja o resumo do projeto e do que está em aberto:

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As promessas da empresa: água, energia e empregos
Data centers de IA costumam gastar muita água para resfriar as máquinas, e essa foi uma das primeiras perguntas feitas em Belém. A Elea afirma que o BEL1 não vai usar água no resfriamento. Ao TI Pará, a empresa descreveu um sistema de ar em circuito fechado, sem captar água do Rio Pará nem da Baía do Guajará. Geradores a óleo ficariam só como reserva de emergência.
Outras promessas da empresa, segundo as mesmas fontes:
- Empregos: até 1.000 vagas diretas e indiretas, segundo estimativa da empresa (TI Pará).
- Obras: de 9 a 12 meses, contados depois do licenciamento ambiental (TI Pará).
- Abastecimento: o projeto não comprometeria a energia dos consumidores locais, diz Lombardi à eixos.
- Conexão: Belém poderia funcionar como rota complementar a Fortaleza, principal ponto de chegada dos cabos submarinos internacionais no país, segundo o TeleSíntese. A ligação seria pela rede de fibra do programa Norte Conectado, de acordo com o blog da Elea.
O argumento central da empresa é descentralizar. Hoje a maior parte da infraestrutura de processamento do país fica no Sudeste. Um site, aplicativo ou serviço público do Norte que roda em São Paulo responde mais devagar por causa da distância. Esse atraso tem nome técnico, latência, e é decisivo em aplicações de IA que respondem em tempo real.
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As críticas: licença, calor, ruído e comunidades
Do outro lado, a principal crítica é simples: o projeto foi anunciado com data de operação antes de existir licença ambiental. Em 13 de julho, a deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) pediu uma análise preventiva ao Ministério Público do Pará (MPPA). O pedido cobre segurança hídrica, estabilidade da rede elétrica e impactos socioambientais, segundo O Liberal.
Em 16 de julho, o MPPA instaurou um inquérito civil, conduzido pelo promotor Márcio Silva Maués de Faria, da 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena.
Barcarena entra na história porque o terreno fica em frente à Ilha das Onças e a Arapiranga, áreas do município vizinho onde vivem ribeirinhos e pescadores.
Na apuração, a secretaria de meio ambiente de Belém (Semma) disse não ter processo de licenciamento do BEL1. Já a do Estado (Semas) atribuiu a competência ao município, de acordo com a InfoAmazônia. A portaria do inquérito cita o risco de ilhas de calor e de “poluição sonora contínua”.
A Elea respondeu ao MPPA que o projeto “ainda está em fase de planejamento”, que não há estudos técnicos concluídos. Também pediu 60 dias para entregar os documentos, segundo o Ponto de Pauta. Na mesma resposta, a empresa disse que ainda não está definido quem vai licenciar a obra: o Estado, Belém ou Barcarena. Lombardi afirmou à eixos que a empresa vai “seguir à risca” o licenciamento ambiental.
O ruído virou tema de um episódio do podcast Big Problema, da Agência Pública, publicado em 17 de outubro. O episódio contrapõe o zumbido contínuo de um data center à cultura das aparelhagens, as festas de som da periferia de Belém, e pergunta quem tem o direito de fazer barulho na cidade.

O que ainda falta para o BEL1 sair do papel
Juntando as falas da empresa, as reportagens e o inquérito, a lista de pendências é esta:
- Estudos técnicos: a Elea disse à eixos, em setembro, que a conclusão estava prevista “para os próximos meses”.
- Definir quem licencia: Estado, Belém ou Barcarena, uma dúvida que a própria empresa levou ao MPPA.
- Licença ambiental: só depois dela começam as obras de 9 a 12 meses.
- Cliente âncora: em junho, a empresa falava em cliente já garantido; em setembro, a eixos registrou que ainda não havia contratos assinados; em outubro, a Elea falou em negociação em andamento.
- Data de operação: o anúncio falava no segundo trimestre de 2027, e o blog da Elea de 7 de outubro diz “2027”, mas a eixos registrou em setembro o objetivo de implantar o empreendimento no fim de 2028.
Até a mesma reportagem diverge: O Liberal de 22 de outubro fala em segundo trimestre de 2027 no texto e em terceiro trimestre na legenda de uma foto. Por isso, o mais honesto hoje é dizer que a previsão é para 2027, sem trimestre garantido, e com chance de atraso.
O que muda para quem mora no Pará
Um data center não é um provedor de internet: ele não leva fibra até a sua casa nem baixa o preço do seu plano. O próprio O Liberal lembra que o BEL1, sozinho, não garante internet residencial mais rápida nem melhor conexão no interior.
O mesmo texto cita a pesquisa TIC Domicílios 2025: 17% das casas do Norte não têm internet, e 43% delas apontam o preço como motivo. Só 62% dos municípios da região têm rede de transporte por fibra, contra 78% na média do país e 92% no Sul.
Onde o data center pode fazer diferença é em quem já está conectado e depende de serviços digitais: órgãos públicos, provedores, startups e universidades. Eles poderiam processar dados mais perto de casa. “Nossas universidades já fazem pesquisas de IA aplicada, com soluções para problemas reais”, disse a O Liberal o professor Marcus Braga, da UFRA. Para quem está escolhendo carreira, vale acompanhar: confira os cursos de tecnologia do PS UFPA 2027 e os eventos de tecnologia em Belém em novembro.
Também é bom lembrar que a corrida global por data centers de IA já pesa no bolso de quem compra eletrônicos, porque os fabricantes priorizam memória para servidores. Entenda em crise das memórias: por que celular e PC estão mais caros. Enquanto a nuvem paraense não fica pronta, guardar uma cópia dos seus arquivos em casa continua sendo uma boa ideia:
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Perguntas frequentes
Quem vai construir o data center em Belém?
A Elea Data Centers, empresa brasileira que já opera data centers no Sudeste, no Sul e no Distrito Federal. O projeto se chama BEL1 e tem a Axia Energia como fornecedora de energia.
Quando o data center de Belém começa a funcionar?
A empresa fala em 2027, mas o licenciamento ambiental ainda não começou e, em setembro, foi citada a meta de implantação no fim de 2028. Não há data garantida.
O data center vai usar água dos rios?
Segundo a Elea, não: o resfriamento seria feito por ar, em circuito fechado. A confirmação técnica depende dos estudos ambientais, que ainda não foram concluídos.
O BEL1 vai deixar a internet mais barata em Belém?
Não diretamente. Data center não é provedor de acesso. Ele pode reduzir o tempo de resposta de serviços hospedados na região, mas preço e cobertura da internet residencial dependem das operadoras e da rede de fibra.
Conclusão
O data center em Belém é, por enquanto, mais promessa que obra: R$ 250 milhões anunciados, 7,5 MW de energia garantida e uma primeira fase de 1 MW a 5 MW de servidores. Faltam a licença, os estudos e um cliente com contrato assinado tornado público.
A empresa promete não usar água e não pesar na rede; o Ministério Público quer ver isso no papel e apura se as comunidades vizinhas precisam ser ouvidas. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo, e é o licenciamento que vai mostrar.
Você acha que Belém deve receber um data center de IA? Conte nos comentários. E siga o canal do Universo Tecnológico no WhatsApp para saber quando o BEL1 sair da fase de planejamento.


