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Crise das memórias: por que celular e PC estão mais caros

Crise das memórias: módulo de memória RAM com seta vermelha de alta de preço

A crise das memórias já chegou ao bolso do brasileiro. No dia 1º de outubro, a Samsung subiu de novo o preço da linha Galaxy S26 no Brasil, com aumentos de R$ 300 a R$ 1.300. Seis dias depois, a mesma Samsung anunciou a previsão de um lucro trimestral recorde, puxado justamente pela venda de chips de memória. As duas notícias têm a mesma origem: a corrida da inteligência artificial.

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Os data centers que rodam modelos de IA consomem memória em uma escala nunca vista, e os fabricantes passaram a priorizar esse cliente. O resultado é menos memória sobrando para celulares, notebooks e consoles, e preço mais alto para quem compra. Neste texto, explicamos o que está acontecendo, o que já ficou mais caro e o que fazer se você precisa trocar de aparelho agora.

O que é a crise das memórias

Todo aparelho eletrônico depende de dois tipos de chip de memória. A DRAM é a memória RAM, que guarda o que está aberto no momento. A NAND é o armazenamento, onde ficam fotos, apps e arquivos. Pense na RAM como a mesa de trabalho e na NAND como o armário: quanto maior a mesa, mais coisas você consegue abrir ao mesmo tempo.

Os servidores de IA precisam de mesas gigantescas. Eles usam um tipo especial, a memória HBM (de alta largura de banda), que fica colada aos chips de processamento e alimenta os modelos com dados em alta velocidade. Fabricar HBM ocupa linhas de produção que antes faziam memória comum. Com isso, a oferta para o resto do mercado ficou apertada, e os preços de DRAM e NAND subiram por causa da oferta limitada, segundo o Olhar Digital.

Módulos de memória DDR5 da SK Hynix para servidores expostos em vitrine
Módulos de memória DDR5 para servidores: os data centers de IA disputam esse tipo de chip. Foto: 4300streetcar (CC BY 4.0) via Wikimedia Commons

Só três empresas dominam esse mercado: Samsung, SK Hynix e Micron. Quando as três preferem vender para os gigantes da IA, o comprador comum fica no fim da fila.

Os números que mostram o tamanho da alta

Os balanços das fabricantes deixam claro para onde o dinheiro está indo. A Samsung prevê lucro operacional de cerca de 107,4 trilhões de wons no terceiro trimestre de 2026, alta de 782% sobre o mesmo período de 2025. É a primeira vez que a empresa passa de 100 trilhões de wons em um trimestre, e a divisão de semicondutores é a principal responsável pelo salto, de acordo com a estimativa preliminar publicada em 7 de outubro e noticiada pelo Olhar Digital. O resultado detalhado sai em 29 de outubro.

A americana Micron foi na mesma direção. No balanço divulgado em 30 de setembro, ela informou receita trimestral recorde de US$ 54,2 bilhões. O presidente da empresa, Sanjay Mehrotra, disse que a Micron já vendeu a maior parte da memória que vai produzir no ano que vem e que os clientes vão pagar preços “muito mais altos” do que em 2026, segundo o TechPowerUp. Mais de 75% da produção de 2027 já está comprometida com clientes.

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O que já ficou mais caro no Brasil

O exemplo mais claro é o Galaxy S26 mais caro desde 1º de outubro. Foi o segundo reajuste da linha em 2026: no início do ano, a Samsung já tinha citado o custo da memória RAM como um dos motivos. Veja a tabela do novo aumento, com dados do Canaltech:

ModeloAntesAgoraAumento
Galaxy S26 256 GBR$ 7.499R$ 7.799R$ 300
Galaxy S26 512 GBR$ 9.099R$ 9.399R$ 300
Galaxy S26+ 256 GBR$ 9.199R$ 9.699R$ 500
Galaxy S26+ 512 GBR$ 10.799R$ 11.299R$ 500
Galaxy S26 Ultra 256 GBR$ 11.499R$ 11.999R$ 500
Galaxy S26 Ultra 512 GBR$ 13.099R$ 13.599R$ 500
Galaxy S26 Ultra 1 TBR$ 15.499R$ 16.799R$ 1.300

Repare que o maior salto, de 8,39%, foi justamente na versão com mais armazenamento. Faz sentido: é a que leva mais chips de memória. Nos Estados Unidos, quase toda a linha também ficou US$ 100 mais cara, segundo a mesma reportagem. Apple e Google também subiram preços de alguns celulares em 2026, ainda que por motivos e estratégias diferentes.

O efeito não para nos celulares. A própria Samsung admite que memória mais cara aumenta o custo de celulares e outros eletrônicos e aperta as margens dessas divisões.

Infográfico com os preços antigos e novos do Galaxy S26 no Brasil após o reajuste de 1º de outubro
O reajuste do Galaxy S26 no Brasil, segundo o Canaltech. Ilustração: Universo Tecnológico

Até quando os preços vão subir?

A má notícia é que ninguém no setor vê alívio rápido. A Micron projeta que a demanda vai superar a oferta em 2027 e 2028, e a falta de memória pode seguir até 2028 ou mais, segundo o TechPowerUp. Construir uma fábrica nova de chips leva anos, e as que entram em operação estão sendo disputadas pelos contratos de IA.

Isso não quer dizer que todo produto vai subir toda semana. Lojas fazem promoções, modelos antigos ficam mais baratos quando sai a geração nova, e o câmbio também pesa no preço final no Brasil. Mas a tendência do preço da memória RAM e do armazenamento é de alta, e quem fabrica tem repassado parte desse custo.

Vale comprar agora ou esperar?

Não existe resposta única, mas algumas regras práticas ajudam:

  • Precisa trocar agora? Se o aparelho atual quebrou ou não dá mais conta do trabalho, esperar pode sair mais caro. Compare preços em lojas confiáveis e acompanhe datas de promoção.
  • Escolha a memória certa. A versão com mais armazenamento é a que mais encareceu. Avalie se você usa mesmo 1 TB ou se 256 GB mais um armazenamento externo resolvem.
  • Considere a geração anterior. Modelos do ano passado costumam baixar de preço e ainda recebem atualizações por anos.
  • Faça o aparelho atual durar mais. Liberar espaço, mover fotos e vídeos para um HD ou SSD externo e manter o sistema atualizado podem adiar a troca.

Se a ideia é ganhar fôlego antes de trocar de celular ou computador, um armazenamento externo costuma ser o investimento mais barato:

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Vale lembrar o contexto: a disputa por chips não é só comercial, é também geopolítica. Contamos essa história em A ascensão tecnológica da China.

Perguntas frequentes

Por que a IA deixa o celular mais caro?

Porque os data centers de IA compram enormes volumes de memória, e os fabricantes passaram a priorizar esse mercado. Sobra menos memória para celulares e computadores, e o aumento de preço de celular e de PC é a consequência.

Só a Samsung aumentou preços?

Não. O Galaxy S26 é o caso mais recente no Brasil, mas Apple e Google também reajustaram preços de alguns celulares em 2026.

Quando os preços devem cair?

A Micron prevê falta de memória pelo menos até 2028. Até lá, promoções e modelos de gerações anteriores são o melhor caminho para economizar.

Conclusão

A crise das memórias é o lado menos visível da explosão da inteligência artificial: o mesmo chip que roda os modelos de IA está faltando nas prateleiras de celulares e computadores. Com fabricantes prevendo aperto até 2028, o melhor caminho é comprar com calma, escolher a quantidade de memória que você realmente usa e fazer o aparelho atual durar mais.

Você está pensando em trocar de celular ou de computador? Conte nos comentários. E siga o canal do Universo Tecnológico no WhatsApp para acompanhar as próximas mudanças de preço.

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