Neste domingo, 4 de outubro, mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar para presidente, governador, senador e deputados. E, como em toda eleição, volta a pergunta: a urna eletrônica é segura? A resposta está numa sequência de camadas de proteção que começa um ano antes da votação e termina só depois que o último boletim é impresso.
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Neste guia, você vai entender, sem juridiquês e sem teoria da conspiração, como a urna é protegida: da lacração dos programas à auditoria feita no próprio dia da eleição — e como qualquer pessoa pode conferir o resultado da sua seção pelo celular.
Por que a urna eletrônica é segura: ela não se conecta a nada
O primeiro ponto é o mais simples. Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, em entrevista ao portal do tribunal, a urna não tem Wi-Fi, nem Bluetooth, nem cabo de rede. A única coisa que a liga ao mundo exterior é a tomada.

Na prática, isso significa que não existe “hackear a urna pela internet”: ela simplesmente não está na internet. Os resultados de cada seção são gravados, impressos e só depois transmitidos por equipamentos separados — que também passam por verificação.
Um ano de fiscalização e a “lacração” dos programas
Os programas que rodam na urna não são segredo guardado a sete chaves. A fase de inspeção dos códigos-fonte das Eleições 2026 começou em 2 de outubro de 2025 e durou um ano, com análise de entidades como Polícia Federal, OAB, Ministério Público e Congresso Nacional, segundo a Agência Senado.
Em 4 de setembro de 2026, o TSE concluiu a cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas. Pense na assinatura digital como um lacre eletrônico: cada programa recebe uma “impressão digital” única. Se um único detalhe mudar, a assinatura deixa de bater — e isso é detectado.
Segundo Valente, depois dessa cerimônia nem o próprio TSE consegue alterar os sistemas. Uma mudança só seria possível com uma nova cerimônia, com todas as entidades chamadas de novo.
O caminho físico: lacres da Casa da Moeda e a zerésima
Para 2026, o TSE preparou cerca de 560 mil urnas, contra 471 mil em 2022, de acordo com o próprio tribunal. Cada uma passa por etapas bem definidas:
- Carga nos cartórios: técnicos gravam nos cartões de memória a lista oficial de candidatos e de eleitores de cada seção.
- Lacres físicos: a urna recebe lacres produzidos pela Casa da Moeda. Se alguém tentar retirá-los, aparece uma inscrição mostrando que o acesso foi violado.
- Transporte: caminhões, barcos, voadeiras e até aviões e helicópteros da FAB levam as urnas às comunidades mais distantes, inclusive ribeirinhas e indígenas na Amazônia.
- Zerésima: no domingo, antes do primeiro voto, o presidente da mesa imprime a zerésima, um relatório que prova que a urna começa o dia sem nenhum voto registrado.
Além disso, no dia da eleição o juiz eleitoral pode verificar, na própria seção, se o programa instalado é o mesmo que foi lacrado em Brasília.
O Teste de Integridade: votação simulada, resultado conhecido
Essa é a parte que mais surpreende quem não conhece. Na véspera da eleição, o TSE sorteia centenas de urnas já instaladas nas seções, em evento público transmitido pelo YouTube. Comissões com representantes de partidos e da Justiça Eleitoral recolhem essas urnas e as levam para um laboratório.

No domingo, às 8h, enquanto o país vota de verdade, essas urnas recebem votos simulados, acompanhados por uma empresa de auditoria — e todo mundo sabe exatamente quais votos foram digitados. Às 17h, elas são encerradas junto com as demais, e o resultado impresso é comparado com os votos conhecidos.
Segundo o TSE, o teste é feito desde 2002, em todos os estados, no 1º e no 2º turno, e nunca registrou resultado diferente do que foi digitado. E qualquer pessoa pode acompanhar.
Como conferir o resultado da sua seção pelo celular
Ao fim da votação, cada urna imprime o Boletim de Urna, com a quantidade de votos de cada candidato naquela seção. Ele fica afixado na seção e tem um QR Code. Com o aplicativo gratuito Boletim na Mão, da Justiça Eleitoral, basta apontar a câmera do celular para o código e consultar os dados — não é preciso ser mesário nem fiscal, segundo o TSE.
Como o boletim é público, dá para comparar o que a urna imprimiu com o que aparece na apuração oficial. É transparência na palma da mão.
E as notícias falsas sobre a urna?
Em época de eleição, vídeos e mensagens “denunciando” fraudes se espalham rápido no WhatsApp — muitas vezes com edição e até inteligência artificial. Já explicamos aqui como a IA tem sido usada para manipular conteúdo e como os algoritmos moldam a informação que chega até você. A regra de ouro: desconfie de mensagem alarmista sem fonte e confira nos canais oficiais da Justiça Eleitoral antes de compartilhar.
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Urna eletrônica é segura? Mitos e verdades
- “Dá para hackear a urna pela internet.” Mito. A urna não tem Wi-Fi, Bluetooth nem cabo de rede. Sem conexão, não existe porta de entrada remota.
- “O TSE pode mudar o programa depois de lacrado.” Mito. Segundo o próprio secretário de TI do tribunal, qualquer mudança exigiria uma nova cerimônia pública, com todas as entidades fiscalizadoras chamadas de novo.
- “Ninguém de fora fiscaliza.” Mito. Polícia Federal, OAB, Ministério Público e Congresso Nacional analisaram os códigos durante um ano antes da lacração.
- “Eu não consigo conferir nada.” Mito. O Boletim de Urna é público, fica afixado na seção e pode ser lido pelo celular com o app Boletim na Mão.
- “As urnas são testadas no dia da eleição.” Verdade. As urnas sorteadas para o Teste de Integridade recebem votos simulados enquanto o país vota de verdade, e o resultado é comparado com o que foi digitado.
Perguntas frequentes
A urna eletrônica é segura contra hackers?
A urna não tem Wi-Fi, Bluetooth nem cabo de rede, então não pode ser atacada pela internet. Os programas são assinados digitalmente e lacrados, e qualquer alteração seria detectada.
Quem fiscaliza o sistema?
Entidades como Polícia Federal, OAB, Ministério Público e Congresso Nacional analisaram os códigos-fonte das Eleições 2026 por cerca de um ano antes da lacração, em 4 de setembro.
Como conferir o resultado da minha seção?
Leia o QR Code do Boletim de Urna afixado na seção com o aplicativo gratuito Boletim na Mão, da Justiça Eleitoral.
O que é o Teste de Integridade?
É uma votação simulada com urnas sorteadas na véspera, feita em paralelo à eleição real. Desde 2002, o resultado sempre bateu com os votos digitados.
Assista também
No nosso canal, falamos sobre os riscos da inteligência artificial usada para enganar pessoas — um bom complemento para quem quer se proteger da desinformação:
Conclusão
Então, a urna eletrônica é segura? Pelas regras e testes públicos descritos pelo TSE, sim. A segurança da urna eletrônica não depende de um único truque técnico, mas da soma de camadas: equipamento desconectado, código fiscalizado por um ano, assinatura digital, lacres físicos, zerésima, Teste de Integridade e boletins públicos que qualquer pessoa pode conferir. No domingo, a votação vai das 8h às 17h, no horário de Brasília.
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