Telescópio Gigante Magalhães: o que é e o papel do Brasil
- Por Redação UT
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No alto de uma montanha do deserto do Atacama, no Chile, está nascendo um dos maiores telescópios já construídos: o Telescópio Gigante Magalhães, conhecido pela sigla GMT (do inglês Giant Magellan Telescope). E o Brasil não é só espectador. Por meio da FAPESP, a fundação de amparo à pesquisa do Estado de São Paulo, o país é sócio do projeto desde 2014 e tem cientistas e engenheiros trabalhando nos instrumentos que vão equipar o telescópio.
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O assunto voltou ao noticiário no fim de setembro, quando o coordenador de Difusão Científica do GMT Brasil, o astrônomo Eduardo Cypriano, professor do IAG-USP, falou sobre a participação brasileira no programa Olhar Espacial, como registrou o Olhar Digital. Neste texto, explicamos o que é o GMT, por que ele é tão poderoso e o que os brasileiros fazem nele.
O que é o Telescópio Gigante Magalhães
O GMT terá sete espelhos primários de 8,4 metros de diâmetro cada um. Juntos, eles funcionam como um único espelho de 25,4 metros, segundo o Olhar Digital. Quanto maior o espelho, mais luz o telescópio capta, e mais longe e com mais detalhe ele enxerga.
Pense em um balde deixado na chuva. Um balde maior junta mais água no mesmo tempo. Com a luz das estrelas é igual: um espelho gigante “junta” a luz fraquíssima de objetos muito distantes, que telescópios menores nem percebem.
Segundo a Agência FAPESP, o GMT deve ter dez vezes o poder de resolução do Hubble e ser 200 vezes mais poderoso que os melhores telescópios atuais. Ele vai observar objetos a mais de 1 bilhão de anos-luz de distância.

O telescópio fica no Observatório de Las Campanas, a mais de 2.500 metros de altitude, segundo o Jornal da USP.
Espelhos gigantes, domo de 65 metros
Cada espelho é uma obra de engenharia por si só. Eles são fabricados no Laboratório de Espelhos Richard F. Caris, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. Para fazer um deles, quase 20 toneladas de vidro são derretidas a 1.165 °C em um forno que gira, e o polimento leva cerca de dois anos, de acordo com o Jornal da USP. A fabricação do sétimo e último espelho principal começou em setembro de 2023, segundo o Pasadena Now, com base no anúncio da GMTO.
Para proteger tudo isso, o projeto prevê um domo de 65 metros de altura, com mais de 5 mil toneladas, capaz de dar uma volta completa em cerca de 4 minutos. Ele será um dos maiores prédios mecanizados já construídos, informa a Agência FAPESP.
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O papel do Brasil: FAPESP e IAG-USP
O Brasil entrou no consórcio internacional em 2014. Segundo a Agência FAPESP, a fundação investe US$ 50 milhões no projeto GMT-FAPESP. Em troca, pesquisadores do Estado de São Paulo terão cerca de 4% do tempo anual de observação do telescópio.
Esse dinheiro não é só uma “cota”. Parte do trabalho é feita aqui. O escritório brasileiro do GMT (Giant Magellan Telescope Brazil Office), liderado pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP), reúne mais de 40 profissionais e atua no projeto e na produção de instrumentos astronômicos. A equipe brasileira trabalha em instrumentos como o GMACS, o G-CLEF, o MANIFEST e a ComCam, segundo o Jornal da USP.
Pelo GMT Brasil, pesquisadores e instituições do país desenvolvem sistemas nas áreas de engenharia, óptica, mecânica, eletrônica e software, e o projeto abre espaço para a indústria nacional em trabalhos de alta complexidade, segundo o Olhar Digital. A professora Claudia Mendes de Oliveira, do IAG-USP e da coordenação do projeto GMT-FAPESP, descreveu a participação como uma oportunidade única de formar jovens engenheiros em instrumentação astronômica.


Quando o GMT começa a funcionar
O GMT ainda está em construção. Um artigo apresentado em 2026 na conferência da SPIE, sociedade internacional de óptica, informa que o projeto está na fase de desenho final junto à agência americana de ciência (NSF) e que a escavação em rocha das fundações do domo e do pilar do telescópio foi concluída, segundo o resumo publicado pela SPIE. A previsão oficial é começar a operar no início da década de 2030, de acordo com a Agência FAPESP.
Enquanto isso, vale relembrar o que a ciência já sabe sobre uma das grandes perguntas da astronomia em nossa matéria sobre vida extraterrestre e o que a ciência já encontrou.
Por que isso importa para o Brasil
Participar de um projeto como o GMT traz três ganhos concretos:
- Ciência de ponta: astrônomos brasileiros terão acesso garantido a um dos telescópios mais poderosos do mundo, sem depender de editais estrangeiros.
- Formação de pessoas: engenheiros e técnicos aprendem a construir instrumentos de altíssima precisão, conhecimento que serve para outras indústrias.
- Indústria nacional: empresas do país podem participar de projetos de alta complexidade.
É o mesmo tipo de pesquisa brasileira que mostramos em Selo de Inovação SBC 2026: as pesquisas brasileiras premiadas.
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Perguntas frequentes
Onde fica o Telescópio Gigante Magalhães?
No Observatório de Las Campanas, no deserto do Atacama, no Chile, a mais de 2.500 metros de altitude.
Quanto o Brasil investe no GMT?
Segundo a Agência FAPESP, a fundação investe US$ 50 milhões, o que garante cerca de 4% do tempo de observação a pesquisadores de São Paulo.
Quando ele começa a funcionar?
A previsão é o início da década de 2030.
Conclusão
O Telescópio Gigante Magalhães promete enxergar o Universo com um detalhe nunca visto, e o Brasil tem lugar garantido nessa aventura. Graças ao investimento da FAPESP e ao trabalho da equipe do IAG-USP, astrônomos brasileiros vão usar o telescópio e engenheiros do país ajudam a construir seus instrumentos. É ciência brasileira em escala mundial.
Você sabia que o Brasil participava desse projeto? Conte nos comentários. E siga o canal do Universo Tecnológico no WhatsApp para receber mais notícias de ciência.


