Universo Tecnologico

Acelerador Sirius: o instrumento que vê células solares em ação

Acelerador Sirius: ilustração de anel de síncrotron com feixe de luz atingindo uma célula solar

O acelerador Sirius, em Campinas (SP), ganhou um instrumento que permite algo raro: observar uma célula solar enquanto ela funciona, com luz, calor e ar controlados, e não depois, quando a amostra já foi desmontada. O equipamento foi instalado na estação Tarumã, da linha de luz Carnaúba, e já está aberto a pesquisadores de fora, segundo a Agência FAPESP, que noticiou o trabalho em 2 de outubro de 2026.

Achados do UT para você

  • Echo Pop com Alexa
    A Alexa mais barata: boa para quarto e para controlar lâmpadas e tomadas.
    Ver no Mercado Livre
  • Câmera Wi-Fi TP-Link Tapo C200 360°
    A câmera de segurança mais vendida: gira 360°, visão noturna e alerta no celular.
    Ver na Amazon
  • Fone Redmi Buds 6 Active
    Fone sem fio barato e confiável, Bluetooth 5.4 e até 30 h com o estojo.
    Ver no Mercado Livre

Links de afiliado: se você comprar por eles, o Universo Tecnológico ganha uma comissão, sem custo extra para você. Veja os 50 achados →

Parece um detalhe de laboratório, mas é o tipo de avanço que decide se uma tecnologia de energia sai do papel. As células solares de perovskita, uma das grandes apostas para painéis mais baratos e leves, ainda estragam rápido demais. Para entender por quê, os cientistas precisam ver o que acontece dentro do material na hora em que ele trabalha. É exatamente isso que o novo instrumento faz.

Neste texto, explicamos o que é o Sirius, como funciona a “luz síncrotron”, o que o instrumento brasileiro mede e por que isso importa para quem um dia vai colocar energia solar no telhado.

O que é o acelerador Sirius

O Sirius é a fonte de luz síncrotron brasileira, construída e operada pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O próprio Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) o descreve como a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no país, aberta a pesquisadores do Brasil e do exterior. Cerca de 85% do investimento foi gasto no Brasil.

A primeira etapa foi inaugurada em 14 de novembro de 2018. Na época, o CNPEM informou que o acelerador principal tem 518 metros de circunferência, que o prédio soma 68 mil metros quadrados e que o projeto custou R$ 1,8 bilhão, segundo os números divulgados pelo centro. O Sirius é uma fonte de quarta geração, e o LNLS afirma que ele tem o maior brilho do mundo entre as fontes de luz síncrotron da sua faixa de energia.

Luz síncrotron, em português claro

Dentro do Sirius, elétrons são acelerados até quase a velocidade da luz e ficam girando num anel. Quando a trajetória deles é curvada por ímãs, eles soltam uma luz extremamente brilhante, que vai do infravermelho aos raios X, explica o LNLS. Essa luz é desviada para as linhas de luz: corredores longos, cada um com equipamentos próprios, que funcionam como microscópios especializados.

Uma analogia ajuda: pense no anel como uma usina que produz uma lanterna poderosíssima, e nas linhas de luz como salas onde essa lanterna é focada para examinar algo bem de perto, como uma rocha, uma semente, uma bateria ou, agora, uma célula solar ligada.

Salão do acelerador Sirius com as cabanas das linhas de luz ao redor do anel, em Campinas
O salão do Sirius, com as linhas de luz construídas ao redor do anel. Foto: Filipe Delduque (CC0) via Wikimedia Commons

A Carnaúba é uma dessas linhas. Com 143 metros, era a mais longa do Sirius quando a Revista Pesquisa FAPESP a descreveu, em 2023, e opera desde dezembro de 2021. Segundo a Agência FAPESP, ela é uma das 12 linhas já instaladas no acelerador e foi projetada para feixes de raios X muito focalizados. “Basicamente, a linha de luz Carnaúba é um microscópio superpotente”, resumiu o físico Rodrigo Szostak, do LNLS-CNPEM.

Como o instrumento vê a célula solar funcionando

O trabalho, liderado por Szostak, foi publicado na revista científica Photon Science e teve apoio da FAPESP por meio de uma bolsa de pós-doutorado. A ideia central, nas palavras dele: “Buscamos reproduzir uma condição normal de operação da célula solar”. Para isso, a equipe montou um pequeno ambiente que simula o mundo real dentro da estação Tarumã.

Um chip que vira célula solar

A base é uma lâmina de vidro coberta, de um lado, por óxido de índio e estanho (ITO), um material transparente que conduz eletricidade. Sobre ele, os pesquisadores constroem a célula de perovskita. Do outro lado do vidro, dois circuitos finos de platina fazem o papel de aquecedor e de termômetro. Segundo a Agência FAPESP, a área aquecida tem 3 × 3 milímetros e chega a 150 °C; sem o vidro condutor, o sistema alcança 300 °C.

O controle é fino: a temperatura programada é atingida em menos de 2 minutos e, a 150 °C, a oscilação ficou em geral abaixo de 0,1 °C por 50 minutos. O suporte foi feito em liga de titânio que quase não dilata com o calor, para que a amostra não “fuja” do feixe. Nos testes de cerca de 20 horas, com ciclos entre 30 °C e 150 °C, o deslocamento foi de cerca de 5 micrômetros na vertical e 1 micrômetro na horizontal, de forma reversível.

Infográfico de como o instrumento do Sirius observa a célula solar: feixe de raios X, luz de LED, calor, ar controlado e medições
Como o instrumento da estação Tarumã reproduz o funcionamento de uma célula solar. Ilustração: Universo Tecnológico

Luz de Sol, ar controlado e um feixe finíssimo

A célula fica numa pequena câmara fechada, com gases circulando e a umidade medida na entrada e na saída. Para fazer o papel do Sol, a equipe testou lâmpadas e ficou com um LED branco: uma lâmpada de xenônio era grande demais para a estação, e o LED tinha a luz mais parecida com a solar entre as opções avaliadas.

De frente para a célula, o LED chega a cerca de 100 mW/cm², o equivalente ao Sol. Na posição lateral exigida pelo feixe, porém, fica em cerca de 30% disso, um ponto que a equipe quer melhorar.

O feixe de raios X tem cerca de 200 nanômetros, centenas de vezes mais fino que um fio de cabelo, compara Szostak. Com ele, a estação combina várias técnicas ao mesmo tempo:

  • Difração de raios X: mostra como os átomos estão organizados no cristal;
  • Fluorescência de raios X: mapeia onde está cada elemento químico;
  • Espectroscopia de absorção: revela o estado químico e a distância entre os átomos;
  • Medições elétricas: curvas de corrente e tensão, que mostram se a célula está gerando energia.

Na demonstração, a equipe montou uma célula solar de perovskita completa sobre o chip, mediu a resposta com a luz ligada e desligada, mapeou a distribuição de iodo e chumbo e enxergou grãos individuais do cristal, com cerca de 2 micrômetros. Ao aquecer a amostra de 40 °C para 65 °C, o cristal se dilatou como esperado, sinal de que o sistema capta mudanças reais durante o funcionamento.

🎯 CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Comece Hoje a Dominar a Habilidade
para Usar a Tecnologia a Seu Favor

Domine Inteligência Artificial em lições de 2 a 5 minutos com a Mind IA Masterclass. Trilhas exclusivas para quem quer aplicar IA em Marketing, Finanças e RH.

⚡
Micro-lições
🎯
100% prático
🚀
Trilhas por área

🎓 QUERO SAIR NA FRENTE →

✓ Acesso imediato • ✓ Conteúdo prático • ✓ 100% online

Por que a célula de perovskita precisa desse tipo de exame

A perovskita é um material com estrutura cristalina que funciona como semicondutor, feito em laboratório com compostos como iodeto de chumbo e brometo de césio, segundo reportagem da Revista Pesquisa FAPESP de dezembro de 2023. A atração é grande: essas células são fabricadas em processos relativamente simples, a baixas temperaturas e sem vácuo, lembra a Agência FAPESP, o que pode baratear a produção.

A evolução também impressiona. Na mesma reportagem de 2023, a eficiência das células de perovskita tinha passado de 3,8% para 26,1% em menos de 15 anos, em dispositivos pequenos de laboratório, enquanto os painéis comerciais de silício ficavam entre 15% e 20%. Combinadas com o silício, nas chamadas células tandem, elas chegaram a 33,7% em laboratório.

Mão com luva azul segurando um módulo solar de perovskita fino e escuro
Um módulo solar de perovskita em laboratório nos Estados Unidos. Foto: Dennis Schroeder / NREL (domínio público) via Wikimedia Commons

O problema é a durabilidade. Um módulo de silício pode durar até 30 anos com pouca perda; as células de perovskita chegavam a pouco mais de um ano, e com muito esforço, segundo a Pesquisa FAPESP. Umidade, calor, oxigênio e a própria luz do Sol podem danificá-las, e os átomos do material se movem muito, o que ajuda a explicar a instabilidade. Há ainda a preocupação com o chumbo, um elemento tóxico.

É aqui que o instrumento do Sirius entra. Se a célula degrada por causa de calor, umidade ou luz, nada melhor que observar o material exatamente nessas condições, em escala de nanômetros, e ver onde o cristal começa a falhar. Szostak lembra que a tecnologia tem “apenas uns 15 ou 20 anos de desenvolvimento”; descobrir o que a derruba é o caminho para torná-la comercial.

O Brasil tem grupos fortes nessa corrida. Na Unicamp, a química Ana Flávia Nogueira dirige o Centro de Inovação em Novas Energias (Cine), que reúne pesquisadores da Unicamp, da USP e do Ipen, segundo a Pesquisa FAPESP. Ciência brasileira de ponta também aparece em outros projetos que já contamos aqui, como o Telescópio Gigante Magalhães e o papel do Brasil.

Quem pode usar e o que mais dá para estudar

O instrumento é multiusuário e já está disponível à comunidade científica, com vários experimentos em andamento, informa a Agência FAPESP. Ele foi pensado para as células de perovskita, mas serve também para células solares orgânicas, células sensibilizadas por corante em estado sólido, células de pontos quânticos, LEDs e outros dispositivos montados sobre substratos compatíveis.

A linha Carnaúba, por sua vez, vai muito além da energia solar: analisa baterias, plantas, sementes, materiais biológicos e até amostras paleontológicas. Para um pesquisador de uma universidade brasileira, isso significa ter no próprio país um equipamento de ponta para esse tipo de análise.

Para o leitor comum, o efeito é indireto, mas real. Painéis solares mais baratos, leves ou flexíveis dependem de materiais que durem anos no telhado, sob sol e chuva. Cada falha entendida em laboratório encurta esse caminho. Se você gosta de acompanhar a pesquisa feita no Brasil, veja também as pesquisas premiadas com o Selo de Inovação SBC 2026.

Enquanto a perovskita não chega ao telhado, dá para começar pelo básico: saber quanto cada aparelho gasta em casa.

Para medir o gasto de energia em casa

  • Tomada inteligente TP-Link Tapo P110
    Liga e desliga aparelhos pelo celular e mede o consumo de energia.
    Ver na Amazon
  • Tomada inteligente EKAZA 16 A com medidor
    Aguenta 16 A (ar-condicionado pequeno, aquecedor) e mostra o consumo.
    Ver na Amazon
  • Lâmpada inteligente Elgin Smart Color 10 W
    Wi-Fi, cores e controle pela Alexa ou Google sem precisar de central.
    Ver na Amazon

Links de afiliado: se você comprar por eles, o Universo Tecnológico ganha uma comissão, sem custo extra para você. Veja todos os achados →

Perguntas frequentes

Onde fica o acelerador Sirius?

No campus do CNPEM, em Campinas (SP). Ele é operado pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).

Por que o Sirius é chamado de acelerador?

Porque ele acelera elétrons até quase a velocidade da luz. O objetivo é produzir luz síncrotron, usada como um microscópio poderoso para estudar materiais.

As células de perovskita já estão à venda?

Ainda estão em fase de desenvolvimento e de primeiros testes industriais. O principal obstáculo é a durabilidade, justamente o que o novo instrumento ajuda a investigar.

Conclusão

O novo instrumento do acelerador Sirius permite observar uma célula solar por dentro enquanto ela gera energia, com luz, calor e umidade controlados, em escala de nanômetros. Para a perovskita, que ainda esbarra na durabilidade, é uma ferramenta para descobrir o que a faz falhar, e ela já está aberta a pesquisadores de todo o país.

Você colocaria energia solar em casa se os painéis ficassem mais baratos? Conte nos comentários. E siga o canal do Universo Tecnológico no WhatsApp para acompanhar mais ciência feita no Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima